publicada em 16/06/10 às 20:36:33
O forte ritmo de crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre - quando cresceu 9% em base anual - reforçou a aposta entre corretoras em ações voltadas ao mercado interno. Mas, desta vez, com uma diferença: os setores ligados ao investimento ganham destaque, principalmente a construção civil.
Os papéis do varejo ainda aparecem nas carteiras, só que de forma mais discreta após a desaceleração do consumo das famílias no Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, como mostrou o IBGE na semana passada.
O setor de construção é uma das apostas da Gradual Investimentos, por exemplo. Na semana passada, a carteira sugerida ao clientes incluía duas empresas do setor. Segundo Paulo Esteves, analista-chefe da Gradual, a construção civil chama atenção nos dados do PIB divulgados terça-feira.
- Entendemos que as ações do setor na Bolsa não estão com um desempenho correspondente aos indicadores da construção. Em algum momento elas vão deslanchar - acrescenta Esteves.
Os números do IBGE mostram que os investimentos cresceram 7,4% de janeiro a março deste ano em relação ao quarto trimestre do ano passado. Sobre o primeiro trimestre de 2009, quando a base de comparação era menor, a alta dos investimentos foi de 26%.
O engenheiro Paulo Salvino mantém ações de construtoras na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Para ele, o setor segue uma boa aposta com o aumento do crédito à construção e o programa habitacional do governo federal.
- O investimento volta a mover a economia. As indústrias estão crescendo. Tenho também ações de energia, setor mais defensivo contra a crise, mas que pode crescer com o maior consumo de energia - afirma Salvino.
Alta da indústria pode ajudar também papéis de energia:
Segundo Eduardo Otero, economista da Um Investimentos, as ações das construtoras têm ganhado espaço substituindo, em parte, os papéis do varejo. Ele lembra que a expectativa é de desaceleração do consumo das famílias no país. Isso vem acontecendo nos últimos trimestres. De janeiro a março, o consumo cresceu 1,5%, abaixo dos 2,1% do três meses anteriores.
- Além disso, empresas voltadas ao consumo tiveram maior valorização em 2009, enquanto construtoras não andaram, o que aumenta seu potencial - diz Otero.
Na carteira anual da Link Investimentos, no entanto, o consumo doméstico ainda é uma das apostas. Segundo Rafael Cintra, analista de varejo da corretora, o impulso viria do aumento de renda das classes C e D:
- Entendemos que 2010 será um ano positivo para consumo no país. O desafio é olhar à frente dos indicadores.
Fonte: O Globo
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